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Virginia de Diego
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25.09.26 – 17h
@Aula Magna, FBAUP (Porto, PT)
Aikaterini Gegisian
Conversa com Susana Lourenço Marques sobre a publicação da artista armenio-grega Aikaterini Gegisian. A publicação e parte da sua exposição na RAMPA (Porto, PT) até 26.9.26.
até 3.10.26 –
@Térmita Livros (Porto, PT)
(ou a ferida na fronte por onde começa a estrela animal)
com obras de: Attilio Fiumarella, Bruno Silva, Carlos Barradas, Estêfania r., Maria Oliveira e Virginia de Diego
“Era uma vez um lugar onde pássaros terríveis cantavam inspirados pela agonia dos insectos”
— Herberto Helder
Existe uma crueldade específica na beleza que nasce do sofrimento alheio. Herberto Helder nomeou-a com a precisão de quem conhece a linguagem não como ornamento, mas como ferida; e Walter Benjamin ecoou-a ao advertir que não existe documento de cultura que não seja simultaneamente documento de barbárie.
Vivemos num tempo em que essa equação se tornou obscenamente visível: as guerras transmitem-se em directo; os genocídios geram feeds; a agonia tornou-se conteúdo, e este tornou-se espectáculo até gerar
indiferença — talvez a forma mais refinada de maldade que a modernidade alguma vez produziu. Armadilha ética! Para lá dos que seguram a arma, mais numerosos são os que consomem este aparato sem agir. Não há inocência estrutural, mas uma hierarquia de aves onde todos ocupamos um lugar.
E no entanto, Mahmoud Darwish, que escreveu a partir do apagamento, recusou que a última palavra fosse dos pássaros:
1.
“Sobre esta terra existe o que merece a vida” , dizia ele. Pensando a linguagem como um território que não pode ser bombardeado, esta exposição nasceu: questionando quem agoniza para que o canto prossiga, e a possibilidade de uma outra forma de ver — que não se alimente da indiferença, mas que a interrompa.
INSECTOS reúne obras de seis artistas que partem de domínios distintos para convergir numa mesma esfera de tensão: o visível e o encoberto, o enfeite e a barbárie, o jogo do poder e a possibilidade da sua recusa.
O que escolherias ver se soubesses que ver é também uma forma de decidir quem agoniza?
Curadora: Mafalda Ruão